Pare o mundo que eu quero descer!

by - sábado, fevereiro 11, 2017


Esta frase de Raul nunca foi tão apropriada para este momento da humanidade! Acho que não é exclusivo do Brasil encubar pessoas sem noção, acredito, e a internet está aí para comprovar. Em tempos de globalização podemos presenciar casos chatos no mundo inteiro. Não quero dizer que essas pessoas ficam de "mimimi", isto é outra chatice. Mas, quero declarar que estou extramente chateada com o posicionamento que muitos grupos vem tomando.
Sem noção, antes eu ficava triste de chorar, me sentir mal e pensar no sentido da vida apenas quando presenciava tragédias, a fome no mundo, as pessoas sem condições adequadas para viver, covardias. Sim, motivos para me sentir mal todos os dias da minha vida. Entretanto, acreditam que sinto este mesmo sentimento ruim quando a internet quebra com posicionamentos idiotas em relação a estilo de vida de uma pessoa em específico, cultura e política, principalmente?

Hoje eu comecei a me questionar o porquê disto me afetar tanto e estou aqui escrevendo para registrar os meus pensamentos e posicionamento sobre tudo isto que está acontecendo.
Primeiramente, me incomoda por ser um movimento crescente. A cada dia que passa a as expressões estão extrapolando a internet e vindo para o mundo de carne e osso. Pessoas estão sendo abordadas na rua e acusadas de alguma coisa ruim.
Segundo, depois que isto acontece no "mundo real" elas voltam para internet e são escrachadas a ponto de serem agredidas com palavras, memes, textões e vídeos.
Então, o próximo e terceiro passo é que mais pessoas sejam agredidas fisicamente! A instauração da barbárie. 


Entendo que por muito tempo diversas minorias foram massacradas pela sociedade majoritariamente conservadora e patronal em que a gente vinha vivendo. Não estou dizendo que deixamos de viver em um sociedade com esses aspectos, porém, acredito que a etnografia influenciou para a moral ser outra. 
Foda-se o que vão achar, mas eu também vou reclamar ! Mais uma vez parafraseando Raul. Sábio Raul, tão a frente do seu tempo!
Hoje, aquilo tudo que outrora era considerado feio e ruim foi aceito. Só que hoje, as pessoas que  praticam essas coisas que agora são aceitas como lindas querem decidir quem é que pode fazer, ter ou o modo como deve ser feito. As pessoas como nunca precisam pedir permissão para ir e vir a diferentes grupos. "Posso me vestir assim?" "Posso usar meu cabelo assim?" "Posso cuidar do meu filho assim" "Posso frequentar o lugar assado? " "Posso comer isto?" . Que merda é essa? Tanto tempo lutando para a minha vida parar de ser regulada em trezentos mil aspectos e hoje ter que me preocupar mais do que no início do século XX como eu tenho que me comportar!!!! ÊÊÊPA!! Já diria a personagem do incrível ator Jorge Lafond.
Dá ou não vontade de chorar e não viver mais com esse tipo de regulação da nossa vida? Quando está na internet é porque quero expôr a minha vida, mas quando eu ando na rua eu também mereço ser abordada , encurralada e questionada em pleno 2017 sobre o que eu faço ou deixo de fazer da minha vida? O que a minha vida influencia na sua que nem me conhece?


Talvez eu seja contra o pensamento de um monte de gente, você pode trazer aqui os seus argumentos e ao final pode até me fazer mudar de ideia. Mas hoje foi a gota d'água ver esta notícia.


E aqui, uma foto minha para a internet em 2011. Postei no meu lookbook. NINGUÉM no brasil se importava em usar turbante. Cheguei a ouvir coisas do tipo "gosto da sua coragem em usar coisas diferentes". E a minha inspiração veio de uma um trend setter do Look Book, provavelmente européia. Procurem por fotos de 2011 de mulheres com turbantes para vocês analisarem as referências. 

Um beijo! (sem ironia, porque até isso hoje tem que ser explicado, é um beijo sincero de sentimento mesmo! Do significado restrito do verbo Beijar, agradecendo por ter lido até aqui.) 

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1 comentários

  1. Ótimo texto!Penso isso constantemente,pois parei de ir a lugares que me julgavam ''inapropriada'',sinceramente muitas vezes fico apreensiva quando saio com meu esposo e recebo olhares inquietos.Claro que me cansei de ouvir comentários agressivos e abusivos sobre a minha cor,mas penso:Poxa,não é pra amar as pessoas como elas são?Porque olham torto quando estou com meu marido?-é uma ignorância sem tamanho,pois não há motivo de menosprezar e diminuir pessoas só porque no passado sofremos preconceitos,é ser igualmente ou até pior que os algozes.A beleza está em sermos do jeito que queremos ser,trocar experiências com pessoas diferentes da gente,não unificar e proibir as coisas,não diminuir por conta de tão pouco...não agredir porque o outro tem o direito de ser ele mesmo!

    Nascemos iguais,porém,temos o direito de sermos singulares!

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