B-S/A: Freaky Movies

sábado, abril 18, 2015


A sétima arte é apreciada por muitos, mas nem todos entendem algumas peculiaridades retratadas no cinema. A Vívien do blog Coorp. Gótica Ltda  trouxe a ideia de falarmos sobre filmes com gente "contra a maré".


A proposta é simples, cada participante propôs um filme que tenha a temática ou personagens que não são bem vistos pela grande maioria, são considerados "esquisitos". Os filmes podem ser de qualquer década. E c ada uma escolheu um proposto por outra blogueira para fazer uma bela consideração/resenha sobre.


O filme que assisti foi indicado pela Maria Cândida, chama-se "Aqui é o meu lugar" (This must be the place, 2011). Confesso que nunca tinha visto o filme por falta de tempo, mas também não sabia muito do que se tratava. O poster sempre me chamou muito atenção por lembrar o vocalista da banda pós punk The Cure, o Robert Smith.


Assim pensei, é um filme de um "rockstar" que não consegue abandonar seu visual dos tempos áureos mesmo com o fim da carreira. Pois bem, acertei metade da proposta do filme, ou pelo menos do que se trata o papel pricipal. Mas, o filme vai muito além. Não é apenas a história de um ex rockstar. É a história de um homem que vive em um mundo de medo, angustia , insatisfação, abandono, pertencimento e culpa. 

Quem iria imagina que Cheyenne (Sean Peen) , um cara rico, famoso, mesmo após 20 anos sem subir ao palco ou tocar qualquer música, e muito bem casado teria tantos problemas de relacionamento com outros? A vida dela poderia ser ótima, se não se culpasse por influenciar a morte de fãs adolescentes com suas músicas depressivas, por não ver ou falar com seu pai por mais de 30 anos e por não saber como é ser pai. 

Vivendo em Dublin, Irlanda, e captando seus royalties de investimentos certeiros no mercado de ações, Cheyenne poderia passar para qualquer um que é um homem bem sucedido e sem problemas, mesmo andando por aí ainda usando pancake, batom vermelho, brincos e roupas carregadas ao olhar da sociedade. Convivendo com uma esposa que o apoia e que se sente realizada por ter um casamento com um homem que a completa, amigos que estão sempre presentes e o compreendendo, não pareceria que ele teria tantos problemas existenciais.


Os questionamentos começaram a se tornar mais insistentes a partir da morte de seu pai, o que levou Cheyenne de volta à Nova Iorque e a comunidade judaica a qual fazia parte. A partir daí se comprometeu em completar a tão sonhada conquista de seu pai, caçar um nazista que o havia torturado durante o Holocausto. Desde o início não parecia fácil, até mesmo por pensar sobre o propósito de sua vida como um grande artista que se deixou afundar e com ele  todo o seu talento, reconhecido por amigos como David Byrne (Talking Heads), que faz uma belíssima aparição no filme, e daí por diante questões da vida de outros personagens começam a cruzar os problemas de Cheyenne que inicia uma viagem ao outro lado do país, até o estado de Utah.

Cheyenne inicia não tão somente uma caçada por um nazista de mais de 90 anos, que chega a ser apreensiva, pois ele é um homem lento e cauteloso, mas também uma caçada às suas convicções em relação a sua suspensão ao mundo da música, a renegação ao amor do seu pai e suas raízes e por nunca se permitir, por medo, realizar coisas simples da vida, como ter um filho com sua mulher incrível por pensar que não o amaria tal como pensou que seu pai não o amou.


Ainda ao final completando o seu propósito o ex rockstar agiu com sabedoria, não deixando os excessos de uma vingança ultrapassarem as relações humanas, o que o fez se sentir mais próximo de seu pai e entender que ainda haveria tempo para mudança, tanto para ele quando para aqueles que cruzaram seu caminho ou o estavam esperando em Dublim. O fazendo perceber certamento onde "era o seu lugar".

Ao final refleti muito sobre o filme e suas colocações, e o continuo fazendo. A história em si é simples, mas o que o filme quer passar está muito além do que eu poderia compreender assistindo apenas uma vez. O filme é intenso e em alguns momentos agoniante, não por ter cenas de "horror" e sim por nos colocar diretamente ligados às emoções dos personagens, às suas atitudes. E tudo isso desaguando no que poderia ser um "fim". Este é certamente um filme para pensar, pensar e pensar.

Para ouvir:
This Must be The Place - Talking Heads



Você também pode acompanhar as resenhas sobre os filmes vistos por outros participantes nos links abaixo (atualizado conforme postagens)

Corp. Gótica Ltda - Garota Interrompida 
Creepy Beuty - Metalhead

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